Impressões mexicanas e o que a Cidade do México me ensinou

A Catedral vista das ruínas do Templo Mayor, no Zócalo, na Cidade do México. Foto: Talita Marchao

Eu sei que você entrou neste post para saber o que eu achei da Cidade do México (e do México) e de que forma um país tão incrível mudou a minha forma de viajar e ver as coisas. Mas para isso eu preciso falar de Maria Dolores. Tem nome mais mexicano do que “Maria Dolores”? Bem coisa de novela mexicana, vai? Super Televisa.

Explico: Maria Dolores foi a primeira pessoa que conheci no México. Ela não tem absolutamente nada de mexicana –é espanhola de Alicante e tem 68 anos. Conheci Maria Dolores em um hostel, na cozinha comunitária, quando fui perguntar sobre lugares para comprar comida –vi que ela chegava com uma sacola de frutas. E Maria Dolores me chocou de uma forma que poucas vezes foi possível.

Como ela me proibiu de tirar fotos, tente fazer uma ilustração superpoderosa

Maria Dolores não sai em fotografias há mais de uma década, e ela viaja há pelo menos oito anos sozinha, com cada vez menos bagagem. Ela está rodando o mundo e, numa dessas, acabou morando três anos no Brasil. Sim, Maria Dolores aprendeu um pouquinho de português na vida!

Mas conversamos em espanhol –e ela elogiou muito o meu espanhol, fiquei super feliz. Maria Dolores veio para Salvador, curtiu e ficou três anos morando ilegalmente no Brasil. Até receber um convite de amigos para mochilar na Ásia. Se mandou daqui e saiu perambulando por lá. Estava no México, naquele dia na Cidade do México. Não tinha roteiro no país, ia viajando conforme a vontade batesse.

Ela viaja gastando o mínimo possível. Não faz o walking tour, passeios nos museus com cronograma determinado e não tem aquela correria para tentar bolar esquemas para cobrir alguns bairros de uma cidade. Ela está ali curtindo. Cozinha no hostel, faz amigos, bate papo. Ia viajar de ônibus pelo México, talvez começasse pelo norte, me disse.

Maria Dolores é magra, com as saboneteiras dos ombros à mostra. Tem os cabelos grisalhos na altura dos ombros. Estava sempre com um lenço amarrado como uma espécie de tiara na cabeça, com os cabelos soltos. De calça jeans folgada e tênis. E uma xícara grande de chá na mão. Como o hostel não emprestava copos, ela ganhou a xícara de um hóspede que já tinha ido embora. Era fácil de ser encontrada deitada no sofá da área pública mexendo no celular ou papeando na cozinha comunitária com alguém.

 

Ela leva a vida em uma mochila e me ensinou a viajar com dois pares de sapatos: um tênis térmico e confortável para caminhada em dias frios e/ou quentes e um chileno para a ducha (ela adora as havaianas, são resistentes).  Não sei se ela tem filhos ou netos, ela não quis falar da própria vida. Falou apenas que tem uma única regra: não viaja no inverno.

Seu próximo roteiro, depois do México, seria o sul da América do Sul (Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile). Mas só no verão. E ela pretende viajar até não aguentar mais. E me deu uma baita lição de vida sobre desapego, solidão, curiosidade. Quero ser Maria Dolores quando crescer.

Ah, e sobre a Cidade do México? Olha, parece São Paulo. Come-se bem, bebe-se bem, é uma cidade barata. Tem app de transporte, tem transporte barato, tem tacos, enchiladas, quesadilhas, tequila, mezcal. Quer saber mais sobre o México? Recomendo o blog da Melissa, o Viviendo en el México Mágico. Ela mora lá com a família há um tempão (mas mora em San Luis Potosi, mais ao norte). Foi ela quem me salvou da morte por disenteria recomendando uns remédios e um líquido para reidratação rápida (tomo mundo tem seus primeiros dias de diarreia por lá, acredite. Se disser que não, está mentindo).

Como a Maria Dolores não me deixou tirar uma foto dela, e ficou muito brava quando eu pedi, decidi escrever sobre ela. Assim, posso até me esquecer daquele rosto, mas nunca da experiência que ela me passou. Gastar pouco, levar pouco e viajar muito.

Para ajudar no seu planejamento:

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