Teotihuacán: como visitar as pirâmides a partir da Cidade do México

Teotihuacán vista da Pirâmide da Lua. Foto: Talita Marchao

Minha passagem pela Cidade do México tinha um único motivo: conhecer Teotihuacán. Ainda no planejamento, eu nem me incomodei em deixar pouco tempo para explorar a cidade (o que me arrependi, daria para ficar por lá mais uns três dias facilmente). Minha única certeza era que eu conheceria as pirâmides que ninguém sabe quem construiu.




Vamos lá: é isso mesmo, ninguém sabe quem construiu Teotihuacán (que significa Cidade dos Deuses). Quando os astecas chegaram lá, a cidade já estava incendiada e destruída. Acham que a cidade foi construída em 100 a.C. (para comparação, o Brasil foi descoberto em 1500 d.C., ok?). Acham que a cidade chegou a ter 125 mil habitantes. Ela foi abandonada pelo seu povo por volta de 650 d.C, (ninguém sabe ao certo o motivo, seja pela seca ou pela guerra). Mas quando os astecas descobriram a cidade, passaram a considerá-la sagrada.

Todos dizem que a forma mais fácil de conhecer a cidade é contratando um tour –pela comodidade. Eu achei extremamente simples chegar até lá por conta própria. Um guia faz falta? Sim, mas você pode conseguir a visita guiada grátis da própria zona arqueológica se planejar sua viagem com boa antecedência (é preciso fazer a reserva semanas antes). Ou faça como eu: guia embaixo do braço, garrafinha de água e haja fôlego para tudo.

Pirâmides do Sol e da Lua vistas a partir do Templo de Quetzalcoatl –e você nem tem ideia do que vem pela frente se começa a subir por ele. Foto: Talita Marchao

Como ir por conta própria?

O ônibus sai do Terminal Central de Autobuses del Norte da Cidade do México (a estação de metrô é a  Autobuses del Norte, veja só). Chegando lá, o guichê fica do lado esquerdo, é o penúltimo. Procure por Autobuses Teotihuacán (admita, é praticamente intuitivo até aqui, vai? Nem precisa falar espanhol para sacar tudo). Você compra a volta com horário livre, e embarca na frente das ruínas mesmo. Quando estive lá, em julho de 2017, as passagens custaram 50 pesos cada (cerca de R$ 10). Ah, e o metrô era 5 pesos (R$ 1 mais ou menos).

A viagem até Teotihuacán dura mais de uma hora (não duvide do trânsito nem na manhã de sábado). O primeiro ônibus parte de CDMX às 6h. Ele passa nas três entradas da zona arqueológica. Na entrada, você compra o seu ingresso na hora e pode pedir um mapinha antes de efetivamente entrar nas ruínas.

A Pirâmide da Lua vista da entrada 3. Foto: Talita Marchao

Qual entrada é a melhor?

Depende. A 1 dá de frente com o templo de Quetzalcoatl (Serpente Emplumada, e você vê as serpentes emplumadas na pirâmide, é sensacional). A 2 dá de cara com a Pirâmide do Sol e fica quase no centro da “Avenida dos Mortos”. A 3 fica do ladinho da Pirâmide da Lua. Estrategicamente, me parece que entrar pela 2 é uma cilada, já que você vai precisar ir e voltar de um dos lados da avenida, caminhando ainda mais.

As serpentes emplumadas do templo de Quetzalcoatl. Foto: Talita Marchao

Eu entrei pela primeira entrada, e acho que foi uma decisão acertada por causa do impacto que a cidade causa quando você entra. Talvez, para mim, entrar pela Pirâmide da Lua e percorrer a avenida até o templo de Quetzalcoatl seria um pouco de anticlímax, já que eu veria a coisa mais linda (a vista da pirâmide) antes do resto. Digamos que, entrando pela portaria 1, eu pude degustar Teotihuacán aos poucos, e deixei o melhor para o fim.

Mas se você chega cedo, bem cedo, pode ser válido entrar logo pela portaria 3 e fazer a foto da Avenida dos Mortos vazia, sem a multidão que visita a zona arqueológica. Aliás, aos domingos a entrada é gratuita para mexicanos, então prepare-se para disputar espaço com muita gente.

A subida da Pirâmide do Sol e os guerreiros que conseguiram chegar até o alto. Foto: Talita Marchao

E as pirâmides?

São surreais. Subi para ver o templo de Quetzalcoatl e reclamei de cansaço sem saber o que me esperava na Pirâmide do Sol. A caminhada pela Avenida dos Mortos (aliás, esse nome dado pelos astecas é errado. Eles achavam que os templos eram túmulos e ops, não são) não te prepara para a subida. A Pirâmide do Sol é a terceira mais alta do mundo, com degraus estreitos, íngremes. Existe um cabo para auxiliar a subida e a descida. Mas já adianto, é uma baita subida e você vai precisar de umas paradinhas se não tiver bom condicionamento físico e quiser chegar vivo ao topo.

Mas a vista que tira o fôlego (depois de você perder o fôlego na subida) é a da Pirâmide da Lua. Ela tem menos degraus (são mais difíceis, não se engane. Alguns são gigantes para as pernas de uma Talita turista de 1,65m). Você não pode subir completamente, os degraus até o topo já estão interditados –minha aposta é a de que logo fecham completamente as pirâmides e ninguém vai subir mais nada, tudo está super deteriorado). Mas é da primeira e única parte aberta para visitantes que você tem a vista da Avenida dos Mortos e da Pirâmide do Sol –como a Pirâmide da Lua está em uma parte mais alta do terreno de Teotihuacán, elas estão mais ou menos na mesma altura, mesmo que a da Lua seja bem menor.

E vale o lembrete: leve água, protetor solar, chapéu e um casaquinho leve. Até capa de chuva é legal. Ah, e um lanchinho! Acredite, eu passei calor, frio e tomei chuva no dia que passei lá.

E como foi a minha visita?

Meu plano era almoçar no alto da Pirâmide da Lua, e só não rolou completamente porque eu senti tanta fome que acabei comendo metade do lanche enquanto caminhava na Avenida dos Mortos. Mas comer o croissant de chocolate com a vista mais incrível, de um sonho realizado, foi bem legal (de verdade, top 10 melhores dias da vida).




Quando eu entrei pela portaria 1, foi uma sensação surreal de sonho se realizando. Eu até saí saltitando –podem perguntar para a Iris, a holandesa que estava no mesmo hostel que eu e me acompanhou nessa aventura.

Só não fiquei mais tempo lá por causa da chuva pesada e rápida que caiu assim que eu desci da Pirâmide do Sol. Até fiquei com medo de não conseguir subir a Pirâmide da Lua por causa da chuva. Mas o lugar é tão quente que tudo estava seco e esturricado em poucos minutos assim que a chuva passou.

A entrada em julho de 2017 custou 70 pesos. (+100 pesos de bus = 170, ou seja, mais ou menos R$ 35). O tour da Turibus (oficial, com guia e almoço lanchinho + parada na Basílica) sai por 900 pesos (R$ 180).

E a Basílica de Guadalupe?

Hum, então. O tour costuma parar na Basílica antes das pirâmides. A grande sacada é que você pode inverter e ir depois, no contrafluxo dos tours. E sabe a melhor parte? Se você pedir para o motorista do ônibus para descer na Basílica e tiver pique para caminhar, pode ir na raça sem gastar metrô.

Basta avisar o motorista que você descerá na estação Deportivo 18 de Marzo (você pode descer já na estação Índios Verdes para pegar o metrô e ir embora, sem chegar ao terminal). Mas você pode deixar para conhecer a Basílica outro dia, e descer na estação de metrô da Basílica mesmo –não precisa do perrengue de fazer tudo no mesmo dia. Os tours fazem a parada porque é praticamente caminho, já que ela fica pertíssimo do terminal do norte.

No Google, é possível ver as cidades que cresceram ao redor da zona arqueológica. Pense que a Avenida dos Mortos não acabava no templo e seguia depois do templo de Quetzalcoatl na direção sul

 

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