O básico sobre a fofa Montevideo

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Estou tão apaixonada pelo Uruguai que acho que o Brasil deveria anexar a ex-Província Cisplatina como a Rússia fez recentemente com a Crimeia. E nem é só por causa da legalização da maconha e do aborto ou do presidente fofíssimo que o país tem (tenho muito amor pelo Mujica). Brincadeiras à parte, talvez anexá-lo nem seja preciso. Em Montevideo, o real é amplamente aceito e, na maioria dos lugares, as pessoas falam português ou portunhol (e os que não falam se esforçam para entender e se fazer entender). Ah, e posso ter sido uma grande sortuda, mas fui tratada com muito carinho.

Antes de despejar as dicas de viagem, me permitam contar um pouquinho do que vivi por lá. A cidade te abraça de verdade. Logo no primeiro dia, ganhei um guia turístico quando fui trocar dinheiro na casa de câmbio — apenas porque perguntei por um lugar gostoso e barato para comer na avenida 18 de julho (dica 1, é a principal da cidade). Depois, a moça do restaurante me indicou a cerveja favorita dela (que era mais barata que a Patricia, e realmente mais gostosa). Aí, no tour do Palácio Legislativo (a Disney dos jornalistas), um senhor aposentado se ofereceu para ciceronear meu grupinho de colegas, nos levou até o Mercado Agrícola, pagou chimarrão para a galera e contou sobre a vida dele e da família brasiguaia. No ônibus, quando me viu abrir o mapa para tentar entender onde deveria descer, um outro velhinho se ofereceu para me ajudar, indicou onde estávamos e qual era a minha parada. Só gentilezas.

Mas vamos às dicas:

  • O aeroporto é lindo e pequeno. E longe do centro. Existem três formas de ir até Montevideo: táxi, extremamente caro; ônibus, super barato, mas será preciso pegar um táxi baratinho até o hotel; e a van. Vamos falar da van: estou encantada. No guichê de “táxi oficial”, que fica na cara do desembarque, você paga uns R$ 35 e pega uma van que te deixará na porta do seu hotel. Ok que os outros passageiros também ficarão em seus respectivos hotéis, e provavelmente você dará um rolê desnecessário pela cidade, mas achei que vale muito a pena. Mala no porta-malas (e não dentro na parte de cima busão, com você embarcando e desembarcando tudo), muitos turistas papeando e uma circulada pela cidade — tive a impressão de que o motorista deixa os uruguaios moradores primeiro, mas não tenho “provas”. A parte triste é que a van não existe para volta. Saudades, van <3.

  • Hotéis e hostels oferecem walking tours pagos, mas pergunte pelo famoso free walking tour de Montevideo (aquele que existe em qualquer cidade do mundo). Além de o itinerário ser maior, você conhecerá gente de outros hotéis, fará amigos e descolará até uma paquera. O grupo sai às 11h da Praça Independência durante a semana e aos sábados às 14h. Super vale a pena para conhecer a Cidade Velha. Ah, e o guia fala português. E para quem vai em família: meu grupo do tour tinha carrinho de bebê e vovó com bengala (não tem desculpa para não conhecer a Cidade Velha).

  • Existem dois pontos úteis e fáceis para conseguir mapas e informações de passeios, linhas de ônibus e tudo mais. Os pontos oficiais de informação turística da prefeitura ficam na frente do Mercado do Porto (lugar caro e muito delicinha para comer), e na frente do prédio da Prefeitura. Tire todas as suas dúvidas ali. Eles oferecem até uma lista com os horários dos principais passeios disponíveis.

  • MIRANTES, AMAMOS MIRANTES. E Montevideo tem dois incríveis e gratuitos: a Torre de Comunicação, aberta de segunda a sexta, com visão 360º da cidade e mocinha para explicar o que for necessário (em espanhol); e a Prefeitura, aberta até de domingo (mas com uns horários restritos, é preciso confirmar no quiosque turístico oficial). Mas é só chegar e subir. A vista da Prefeitura vale pela visão da praia do rio, que é coberta pelos prédios da 18 de julho lá na Torre de Comunicação.

  • O Teatro Solis tem visita monitorada. Não é cara e os grupos da manhã ainda podem curtir uma performance artística. O Congresso (ou Palácio Legislativo) também tem (é baratinha também, e o tour das 15h é feito com guia em português). Os dois prédios são lindos, mas o Congresso é um verdadeiro palácio. Aliás, já que mencionei o Mercado Agrário acima: ele fica perto do Congresso, mas achei muito “sacolão de frutas gourmet”. Não curti.

  • A feira na rua Tristan Navarra é um fenômeno antropológico. Vi venda de peixe vivo, filhote de cachorro, cuia para chimarrão, frutas, camisetas, incenso e até um cd para instalação do Windows XP. Vale a passagem.

  • E o tal do candombe? Música trazida pelos escravos africanos, obviamente lembra muito a nossa cultura brasileira. Admito que me diverti dançando numa festinha ~intimista~ que fui. Recomendo.

  • Mas e as baladas de Pocitos? Pois é. Estou velha, deixei para a juventude. Mas vá, arrisque e pague a cerveja cara de lá.
    BÔNUS – E a maconha legalizada?
    Montevideo não virou Amsterdam. Desculpa, amigs. Você até sente a marofinha andando pela cidade, mas não achei nada incomum do que vemos em São Paulo. Pode ser que eu tenha muitos amigos maconheiros, mas não achei nada estranho por lá.

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