Cambará do Sul: Como visitar os cânions Fortaleza e Itaimbezinho

A vista do cânion Fortaleza –confesso que achei mais impressionante do que o Itaimbezinho. Foto: Talita Marchao



Quem vai para Cambará do Sul, na Serra Gaúcha, tem um único objetivo: visitar os cânions que deixaram a cidadezinha tão famosa. Na verdade, o esquema para conhecer os dois lugares vai depender muito do tipo de viajante que você é e do tempo que você tem disponível.

Meu conselho: um fim de semana dá, mas é pouco. Você vai precisar (e querer muito) voltar!

Vamos lá, por partes:

O cânion Fortaleza está no Parque Nacional da Serra Geral. A entrada é gratuita, mas é preciso preencher um cadastro na entrada e identificar o carro (não é exatamente para um controle de acesso, é mais por segurança, para quem cuida do local saber que você está lá e, se não voltar, vão sair para te procurar –e espero que não lá embaixo, né?).

Eu sou apaixonada por essa vista do Fortaleza, é coisa de filme! Foto: Talita Marchao

Ele impressiona pelo tamanho e pela vista –são mais de 7 km–, e você caminha bem próximo do paredão. Segundo o guia que nos acompanhou, o melhor momento para visitá-lo é pela manhã, já que o nevoeiro costuma fechar a vista durante a tarde. Outro ponto que precisa ser avaliado é o vento –mesmo com o tempo limpo, pode ter ventos de mais de 100 km/h e isso não é legal (acredite, eu fiz a visita com o vento nesta velocidade e quase saí voando, o vídeo é a prova! rs).

Ele fica a 22km de Cambará do Sul, e metade do trajeto é feito em estrada asfaltada. O grande problema é a outra metade, já que a estrada é completamente acabada –não é só o chão de terra, o grande problema são as pedras. Quase todo o percurso é feito sem sinal de celular. Isso significa que se o pneu do carro estourar ou o veículo apresentar qualquer outro problema, é impossível pedir ajuda. O parque tem só a portaria, e a entrada é gratuita.

 

 

 

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Isso a Globo não mostra na novela de época: a ventania insana no alto do cânion Fortaleza. Cadê o glamour, o charme?

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O Fortaleza tem duas trilhas: a do Mirante, mais curta e mais íngreme, com uma vista de tirar o fôlego do cânion quase inteiro, e do litoral do RS (dá para ver Torres e o mar), e a da Trilha da Pedra do Segredo, que tem vista para a Cachoeira do Tigre Preto –esta segunda trilha demanda um guia, já que é preciso atravessar um rio a pé.

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O cânion Itaimbezinho fica no Parque Nacional Aparados da Serra. O mesmo esquema de identificação é feito para a entrada no local. A sede do Itaimbezinho é mais organizada, tem um estacionamento asfaltado, um salão com uma maquete explicativa, banheiros e água para beber.

Ele fica a 18km do centro de Cambará do Sul, e o caminho é praticamente inteiro em estrada de chão –tão cheia de pedras quanto a que leva ao Fortaleza. Em alguns poucos  trechos, há sinal de celular. Você paga um valor para entrada (menos de 10 reais).

A foto clássica do Itaimbezinho é esta, e o cânion segue ali para dentro. Foto: Talita Marchao

O Itaimbezinho tem duas trilhas na borda do cânion –a maior, do Cotovelo, e a menor, do Vértice. O grande barato é que o visitante que não aguenta fazer a trilha pode fazer a maior delas com o veículo do parque e, a partir de uma área mais próxima dos paredões, circular e curtir o visual. O legal é que a tal trilha do Vértice passa exatamente no “começo” do cânion, ou seja, na origem da fenda.

Me deixa fazer selfie com desfiladeiro do Itaimbezinho e a cachoeira?  Foto: Talita Marchao

O Itaimbezinho tem ainda uma terceira trilha, a do Rio do Boi –sim, você caminha lá embaixo no desfiladeiro. Essa trilha começa lá em Praia Grande, no litoral de SC. Aliás, segundo o guia que nos acompanhou, o rio tem esse nome por causa do sangue do gado que caía do cânion.

A gente caminha bem próximo da borda no Itaimbezinho. Foto: Talita Marchao

ALIÁS, uma curiosidade: a borda do cânion é Rio Grande do Sul; o fundo do cânion lá embaixo, é Santa Catarina. E, em algumas bordas de cânion, há sinal de celular e internet justamente por causa do sinal de SC.

ALIÁS, outra curiosidade: estes dois cânions estão em áreas de parques nacionais. Mas ali na região da famosa “Terra dos Cânions, há paredões que estão em propriedades particulares e os donos não só podem, como impedem o acesso. Alguns cobram um valor de entrada. Imagina que o cânion tem um dono!

Carro próprio ou contrato um passeio?

Depende do seu carro e do amor que você tem por ele. Se você é o feliz proprietário de um veículo 4×4, vá sem medo de estrada. Mas se você é o feliz proprietário de um carro comum, depende do quanto você está disposto a arriscar. As duas estradas são muito ruins, e é comum ver carros quebrados pelo caminho (e se for só o pneu, é sorte). E mesmo que o carro sobreviva, você ainda tem a volta até Porto Alegre, e o veículo pode ter problemas para a rodovia.

A vantagem do passeio não é só poupar o carro (seja seu ou alugado). Achei bem legal fazer os dois passeios com um guia, que nos explicou detalhes, contou histórias, orientou de onde eram tiradas as melhores fotos. As trilhas dos dois cânions são fáceis, é possível fazê-las sozinho. Mas, por exemplo, fiz a visita ao Fortaleza com muito vento, e o guia nos ajudou a parar em lugares em que o vento era menos agressivo para ganhar fôlego e seguir a caminhada –andar contra o vento de quase 100km/h gasta uma energia que ninguém faz ideia, vejam o vídeo ali de cima!.

A dica é: vá em grupo. Mas você vai em casal ou em família? Não tem problema! Converse com outros hóspedes no hotel, no hostel ou na pousada. Veja se todo mundo topa o fazer os passeios juntos e peça indicações para os funcionários do local em que você está hospedado para orçar o passeio para mais pessoas.

Sozinha, cheguei a pegar valores de R$ 250 por cada passeio; em grupo, paguei R$ 50 (sim, é o mesmo passeio). Se vocês fecharem os dois cânions com a mesma agência, os valores podem ser ainda mais baixos. Dá até para chorar e negociar uma ida de um dia até São José dos Ausentes, onde os cânions são de tirar o fôlego –são os das novelas.

Faço tudo em um dia ou em dois dias?

Depende do seu preparo físico e do tempo que você tem para explorar a região. O Fortaleza tem duas trilhas (cada uma delas com 3km ida e volta com direito a uma baita ladeira até o mirante). O Itaimbezinho tem mais duas trilhas planas (uma de 6km ida e volta e a outra de 1,5 km ida e volta). Se você estiver em forma, levar um tênis confortável e tiver a sorte de pegar um dia lindo, vale a pena fazer tudo em um dia só.

Mas se você prefere uma viagem mais tranquila, ter tempo para almoçar numa boa, curtir a cidadezinha, acordar tarde ou tirar uma soneca no fim do dia, dá para fazer um cânion por dia. Nos cânions, você pode tirar fotos e curtir a vista com mais calma também.

O que eu fiz? Tudo no mesmo dia. Mas isso porque meu grupo teve um problema: o rio que é preciso atravessar em uma das trilhas do Fortaleza estava com o nível muito alto e era perigoso tentar passar por ele andando. Como fiquei pouco tempo no local, deu para esticar a ida ao Itaimbezinho na hora do almoço ou durante a tarde –tente ir no começo da tarde, para evitar as fotos contra a luz. Com o sol a pino, as fotos ficarão incríveis!

O que levo para um cânion?

O básico: lanchinho, água, blusa corta-vento (se for impermeável, melhor ainda), protetor solar, óculos escuros. Não deixe a máquina fotográfica fora do seu corpo (mantenha-a pendurada com você, assim ela não sai voando). Se tiver um esquema para prender o celular enquanto faz a selfie, melhor ainda –o seu pau de selfie vai sair voando, acredite.

E vale o recadinho de sempre: leve embora o seu lixo, recolha o lixo dos porcos que passaram por ali e não alimente os animais silvestres!



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