Que tal visitar uma aldeia indígena e dar um mergulho no rio?

Foto: Talita Marchao

Se existe um roteiro que curti muito na minha passagem pelo Espírito Santo foi o passeio de barco por um manguezal e a visita a uma tribo indígena, com a possibilidade de conversar e entender um pouquinho da realidade em que eles vivem. Essa combinação aldeia+rio foi perfeita principalmente porque os índios da região de Aracruz estão completamente ligados com o rio Piraqueaçu, e você não os compreende sem entender a importância do rio.

Conhecemos tudo isso durante o Pocando no ES, um encontro de blogueiros em que a gente se junta para conhecer lugares novos, garimpar umas boas dicas de viagem e trocar muitas dicas. Só para deixar claro: são dois passeios distintos, mas que se complementam totalmente.

Mas vamos começar pelo passeio de escuna: é possível fazer o passeio com a escuna “Princesinha do Mar” em quatro horários: entre 10h e 16h, saem barcos a cada duas horas. O passeio todo dura duas horas: a gente navega por cerca de meia hora pelo rio Piraqueaçu, margeando o manguezal –um dos maiores da América Latina. Em tempos pós-tragédia da lama da Samarco, que atingiu a região mais ao norte do Estado, é importante para ver e entender o que foi destruído. Ah, e só para deixar claro: esta região não foi afetada, e é seguro navegar e até mesmo nadar ali.

Foto: Talita Marchao

O barco para em uma plataforma flutuante para que os passageiros possam descer, curtir um sol e tomar banho de rio –o mais legal é que eles emprestam gratuitamente o colete salva-vidas. Você pode ficar por ali por cerca de uma hora. O barco volta para o cais na foz do rio.

A plataforma flutuante, onde rola a parada para o banho de rio. Foto: Talita Marchao

E aí está o pulo do gato: você pode pegar o carro e, em poucos minutos, está na aldeia temática. Nos optamos por desembarcar na própria aldeia (um veículo nos buscou depois).

Conhecendo a tribo Piraqueaçu

A visita aos índios não ocorre no local em que ele vivem, mas sim em uma aldeia temática –ela foi construída para um filme, e a estrutura foi mantida e repassada para que os índios possam aproveitá-la com turismo. E apesar de tudo parecer “fora da realidade” na aldeia artificial, a essência do rolê todo está nas pessoas que te recebem e dividem um pouco da própria história.

A aldeia temática é administrada pelos índios. Foto: Talita Marchao

Quem nos recebeu foi o cacique Karai Peru (seu “nome de branco é Pedro”, e seu filho, Karai Mirim (Rodrigo), de origem Guarani. Rodrigo foi estudar turismo para ajudar a aldeia a encontrar um meio de ganhar algum dinheiro com o turismo, mas muito do trabalho da tribo esbarra na falta de estrutura do governo local: por exemplo, a aldeia temática cedida não tem banheiro, água encanada, nada. Eles falaram ainda sobre a luta para tentar conter a poluição do rio Piraqueaçu –há dezenas de grandes empresas contaminando a área.

Cacique Pedro. Foto: Talita Marchao

Lá na aldeia nos serviram um almoço, comida de casa super saborosa: arroz, feijão, macarrão, carne e um prato típico indígena, o inhambi (parece bastante com o capeletti in brodo com frango, super leve e gostoso. Tudo feito de forma muito simples. Eles ainda fizeram uma apresentação de música e, para os mais dispostos, rola ainda uma trilha.

A visita lá precisa ser agendada –a entrada custa R$ 20, sem incluir a refeição, que é cobrada separadamente e deve ser combinada com antecedência, já que é preciso prepará-la. O telefone para a reserva é (27) 996062754 (falar com o Cacique Pedro). Aliás, o ideia é já reservar também com antecedência o passeio de barco por meio do telefone (27) 999851964 ou pelo e-mail luizaturismopdm@hotmail.com .

Como chegar

Embarque e desembarque da escuna Princesinha do Mar ocorrem no cais da Rua da Antiga Balsa , Coqueiral (Aracruz). Você chega de carro facilmente até lá. Já a aldeia fica em uma entrada da rodovia ES-010 –basicamente, de um lado da estrada fica o barco; do outro lado, atravessando a rodovia, está aldeia. Os dois ficam a menos de 5 minutos de distância!

 

 

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  1. Bom, muito bom! A visita a esta aldeia foi o grande diferencial do nosso roteiro. Eu que sou da região e, sempre soube da existência das aldeias, adorei ter contato com eles e conhecer mais a história e situação do povo Guarani.